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Isabella Sander, 19 anos, estudante de jornalismo. Capricórnio, Lua em Áries, Ascendente em Touro. Explosiva, alegre, querida.



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Minha Vida em Preto e Branco


Comentários:
24.5.09

Muitas vezes, passa-se dias, meses e até mesmo anos mergulhado em ressentimentos e emoções negativas que não trazem nada de bom. As coisas parecem piores e tem-se dificuldade em sair do lugar.

Acredito que eu estava assim, nos últimos tempos. Não parada, porque é impossível. No entanto, movendo-me pouco, principalmente em relação aos meus sentimentos. Não quero mais ser assim. Não quero cultivar o que eu tenho de pior, se tenho tanta coisa boa pra dar. E nem pra dar para os outros, mas para mim mesma. Não vou fazer da vida mais pesada do que é. Quero correr, pular, voar, ser aquela pessoa ativa e inquieta (no bom sentido) que as pessoas costumam achar que eu sou.

Tomara que eu leia isso, daqui a um tempo, e veja que realmente consegui me livrar desta nuvem preta. =)

Rabiscado por Isabella | 9:53 PM |

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14.5.09

I love you, I hate you, I miss you

E é assim com tudo na minha vida. Jamais saberei o que eu sou, o que eu sinto ou o que eu quero e muito menos o que os outros são, sentem e querem. Quando eu achar que algo é certo, serei a pessoa mais feliz do mundo. Eu espero.

Rabiscado por Isabella | 4:27 AM |

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14.4.09

De dia, sou bonita
Sou estrela de cinema
Desfilo na areia
Me torno sereia

Personagem de Fellini
Andando entre mortais
Sem enxergar onde pisa
Cheia de si
Cheia dos outros
Confiante no presente
E no futuro

No entanto, quando a noite chega
Eu me jogo em seus braços
Me afogo nos seus beijos
E me torno apenas eu

Meus defeitos, minhas falhas
Confesso pra você
Entrego meu corpo
Depois entrego minha alma
Aceito qualquer derrota
E não preciso mais fingir

Rabiscado por Isabella | 2:59 PM |

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3.4.09

Se jogou na cama, procurando refletir. Refletir, refletir, refletir, estava cansada disso. O mundo exigia que refletisse, que chegasse a uma conclusão, que resolvesse os problemas. Ela não queria. Ela queria era se esconder, dormir durante meses, até que todo o cansaço que sentia passasse. Fernando Pessoa disse: todos os meus amigos têm sido campeões em tudo. A ela, parecia que ninguém se responsabiliza por seus atos. A ela, lhe parecia que era a única culpada do mundo. A ela, que sempre procurou fazer o correto, lhe é cobrada a decisão de agir certo e não agir ou de não agir certo e agir. A moral, a ética, já não é mais ser boa. Não, boa é muito fácil. Boa, correta, verdadeira. Tudo muito simples. Agora, o mundo era ambíguo, tríguo, políguo, todos os íguos.

Sacou da gaveta uma revista de palavras cruzadas, tentou não pensar. Era o que precisava. No entanto, de que adianta não pensar? Esquecer, fechar os olhos, ligar o som bem alto, desligar o telefone. Só adiava o que precisava ser feito. E o que seria feito? Eis a questão. Voltou para as cruzadinhas. Prefixo de "endoblase": movimento para dentro. O que era o movimento para dentro? Era a espiral de fora para dentro, que ia diminuindo, diminuindo, diminuindo, até desaparecer? Se ela se fechasse em si mesma, trancasse o quarto e passasse a vida fazendo palavras cruzadas, será que iria, aos poucos, desaparecer? Para onde vai o que não existe mais? A espiral continua fazendo círculos em algum lugar, em alguma realidade, mesmo que não seja a nossa?

A resposta era "endo". Decidiu parar com o jogo, com medo de virar uma espiral inexistente, em uma realidade invisível. Não que fosse uma má idéia ser invisível por um tempo, mas temia não voltar. Era o que mais a fazia sentir frágil: não tinha coragem de resolver e não tinha coragem nem de ser invisível. Parecia que era completamente vulnerável ao que vinha até ela, além de o que surgia de dentro dela. Nada ela comandava, tudo acontecia, como se estivesse em uma sala de cinema. Era refém da própria vida e nada podia fazer. Talvez a espiral fosse inevitável. Voltou às cruzadinhas.

Rabiscado por Isabella | 2:26 AM |

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13.3.09

Despiu-se, como quem diz: é isso. Nem mais e nem menos, nada tenho além do que ofereço neste instante. Aceite-me assim, ou vá embora; não posso fazer nada. Me olhou de um jeito sincero, quase pedindo perdão pelo pouco que ela tinha a dar, que era muito, mas ela não sabia. Gosto de gente assim, sempre gostei, por mais que eu não tenha coragem para tanta sinceridade. Nunca tive a coragem de olhar primeiro, de dar a mão primeiro, de dizer primeiro. Não é algo de que eu me orgulhe, como não me orgulho de minha falta de honestidade comigo mesma em diversos momentos.

Só o que eu poderia dizer a respeito de mim mesma é: tento ser. Não é fácil como parece, ser. Ser exige tempo e reflexão. Todos esquecem da dificuldade que se tem em ser, acabam cobrando que a pessoa seja, e, ainda, que seja o tempo todo. Não há como ser o tempo todo – acabamos fingindo que somos, colocando uma máscara durante o dia e só a tirando quando vamos dormir. É nos sonhos que conseguimos ser de verdade. Pelo menos, comigo é assim. Ademais, não é todo mundo que está pronto para ficar aí vendo os outros sendo; terminariam por fechar os olhos com força, querendo nunca mais abri-los, porque ver os outros sendo também não é uma coisa fácil. Por isso as guerras. Por isso as revoluções. Por isso os castigos.

Mas não perderei o foco. O problema é coletivo, mas o problema também é meu. Sou melhor em abrir os olhos e enxergar os outros sendo do que em eu mesma ser. Gostaria de não precisar dizer, mas essa provavelmente é a minha única chance de poder, um dia, ser. Sempre enxerguei mais os outros do que a mim. Sempre exigi que se vissem como eu os via. Porém, na luta pela adaptação externa, esqueci-me de que eu não sou perfeita e que eu cometo erros terríveis, cruéis, às vezes irreparáveis. Preciso aprender a ser, a realmente ser, a não me ocultar com uma máscara, a não dormir para ser sem ter vergonha.

Rabiscado por Isabella | 3:24 PM |

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6.2.09

Tendi a ficar deprimida
A me recolher
A sentir a morte que
Esteve ao meu lado.

No entanto, a vida me chama
A cada instante
Me obriga
Me força

Não sei ainda se
Como um tormento ou
Uma dádiva.

Rabiscado por Isabella | 7:24 PM |

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24.1.09

Reconheci na hora em que cheguei. Não que me tivesse visto, mas eu reconheci prontamente: não parava e, a princípio, nem focava. O que fez parar? Talvez meu olhar persistente, ou os meus esforços para ser notada. No entanto, prefiro crer que também me reconheceu. Tanto, que falamos, então. E como. Falamos da meia-noite até o sol já brilhar forte no topo. Perplexa, fui dormir. No dia seguinte, nem nos olhávamos, tamanha era a vergonha do crime da intimidade instantânea da noite anterior.
Na outra noite, fui cedo para a cama, frustrada com minha falta de coragem de me aproximar. Acordei, como em um sonho, com uma pessoa me chamando. Sorri. Sorrimos. Todo o temor, toda a vergonha se dissipou por completo. Havíamos nos reconhecido e não podíamos negar esse fato. Então, entregamo-nos a ele com toda a força, energia e profundidade que possa existir, porque não havia luta e porque não queríamos pensar no depois. E como não pensar? Agora, porque não sabemos viver sem esperar alguma coisa de algo, a luta é para não pensar.

Rabiscado por Isabella | 4:07 PM |

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13.11.08

Por trás dos olhos
Por trás da certeza
Persiste a dívida
Comigo mesma.

Rabiscado por Isabella | 1:00 AM |

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Comentários:
28.10.08

Me ignore
Me despreze
Me bata
Mas não me ataque
Com esse sorriso

Rabiscado por Isabella | 11:30 PM |

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Comentários:
27.9.08

Queria dizer tanta coisa
Que chega a doer o meu silêncio
Mas não sei se a falta dele
Não traria a sua ausência

Não é amor o que eu sinto
Talvez nem seja paixão
Pode não ser absolutamente nada
Mas me dói ficar calada

Gosto de ser verdadeira
De descrever o que existe em mim
E a espera de espaço pra isso
É tortura que não tem fim

O silêncio um dia acaba?
Ou vira costume e vivemos assim?
Porque eu prefiro deixar pra lá
Do que acostumar a não ser eu

Tenho tanto amor pra dar
E tanto sentimento espalhado
Que chego até a confundir
O que sinto com o que imagino

Numa dessas explosões
Irão, por certo, me achar louca
Me levarão a um hospício
E lá viverei para sempre

A filosofar sobre o que sinto
E confundir com o que não sinto
Perdida em reflexões sem fim
Esperando o que não virá

Rabiscado por Isabella | 9:39 PM |

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Comentários:
8.9.08

E, em um belo dia, decidiu que não me amava. Expulsou aquele luto profundo que havia se instalado em suas vísceras e saiu na rua, disposto a encontrar alguém para me substituir – já que eu não o queria, ou queria, mas depois, como tinha dito poucos dias atrás, qual era o problema?
Foi observando, procurando, precisando de alguém para deitar a sua cabeça no colo. Como era jovem e de boa aparência, não foi difícil encontrar. Ana. A do cursinho. Era bonita, amável. Parecia comigo, em certos aspectos. Sem perceber, foi gostando... Como era parecida comigo, não sentia falta dos meus trejeitos e manias. Engraçado como os trejeitos e manias incomodam durante o namoro, mas, quando ele acaba, é deles que sentimos falta.

Rabiscado por Isabella | 12:09 PM |

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11.8.08

Eu quero ser o mar
Para te sentir entrando lentamente
Molhar tuas pernas, depois tuas coxas
Te dar sustos pequenos com ondas pequenas
E sustos grandes com ondas grandes
Mostrar meu poder, te fazer sentir minha imensidão
Tão extensa que não podes ver onde termino
Eu quero ser o mar para te submergir
Te fazer ver como sou forte
Ao te surpreender com uma onda avassaladora
Quero que saibas de minha inconstância
Quando voltares no outro dia e me encontrares maior
Ou, então, mais rasa
Durante tempestades, que tu me vejas brava
Furiosa, me tornando bicho indomável
Mas que também vejas quando sou serena
Quando sirvo de paisagem e gero poesias
Quando podes mergulhar em mim sem medo
Sentindo apenas o sal em tua boca
E a areia que vem com o ar,
Que suja tua pele e fecha teus olhos
E ouças meu som que é um conjunto de tudo:
Do que já vivi, do que existe ao meu redor
Do que já vivestes e do que queres ouvir
Quero ser mar para te envolver
Abranger tudo e todos
E sobreviver às trevas escuras que afundam e afogam

Rabiscado por Isabella | 3:50 AM |

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20.7.08

Centro Cultural de Buenos Aires

Fico deitada no gramado bem cuidado, tomando sol. Sinto o cheiro de verde, sinto o cheiro da fumaça, e, depois, não sinto mais nada. Deixo-me guiar pelo sono e pela preguiça, pela gripe mal-curada e pela tristeza. Quando acordo, não quero mais sair de lá. Mas saio: há uma cidade inteira a ser explorada.
Caminho sem destino, até parar na frente de uma construção grande e antiga – sempre me encantei por coisas antigas. Entrei. Havia, lá, uma exposição de arte de jovens. Tinha todo o tipo de pintura e todo o tipo de fotografia. Meus pais seguiam em frente, sem se importar com o que havia dos lados. Eu não via mais nada. Misturava sensações, me emocionava com quadros com figuras desformes – o abstrato me atrai, e o que é muito explicado perde a graça.
Passeei por aqueles corredores até me perder, até não ter mais o que ver, não saber onde era a saída. Fiquei por um bom tempo procurando. Até que encontrei: não a saída, mas um jardim. Não um jardim, mas um espaço aberto, em que havia uma casa muito antiga e um corredor colorido que chegava ao Hard Rock Café.
Era um espaço enorme, e era fim da tarde... Como eu amo o fim da tarde. As cores, vivas, o clima ameno, a satisfação. Olhei para a casa, olhei para o corredor, olhei a vista. Olhei as pessoas, que me olhavam. Gostaria de falar com elas, abraçá-las, comentar sobre a beleza do mundo. No entanto, me contive – as regras de boa convivência nos dizem claramente que somos formiguinhas e não devemos mirar nos olhos de quem não conhecemos. Todos trabalhando, todos seguindo o seu caminho sem parar.
Mesmo sem abraçar desconhecidos, não pude deixar de sorrir. Era tudo lindo, era tudo simples... Era tudo perfeito, e aquele momento não podia acabar. Mas acabou. Logo meu pai me chamou, e me guiou abobada para o conhecido café. Nada me impressionou por lá. Guitarras na parede, quadros com fotos de bandas, garçons estilosos. Só. Cardápio caro, loja de souvenirs sem graça. O momento havia acabado. Resta a vontade, que eu sempre tenho em viagens, de morar no lugar pra poder voltar onde me emocionei. No fundo, sei que não adianta nada: posso voltar quantas vezes eu quiser, que o sentimento será diferente e muito menos intenso. Porque nada volta, porque eu sempre mudo e porque há pessoas à minha volta que mudam e me fazem mudar até mesmo o que eu não quero.

Rabiscado por Isabella | 8:29 PM |

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10.7.08

Okay, este post não será nada produtivo, tenho quase certeza, então não leia. Mas hoje eu quero falar asneiras, então falarei por tópicos:
* Final de semestre me traz reflexões sobre como foi a primeira metade do ano e como será a outra. Na verdade, tudo me traz reflexões. Sou pensativa demais e dramática demais. Isso é foda, simplesmente foda, porque, se nada está acontecendo, eu fico amargurada por isso e procuro cabelo em ovo; se tem algo acontecendo, então, é pior: pode ser uma coisa simples, mas pra mim se torna uma bola de neve que, se eu não guio, atropela a minha vida.
* Pronto, acabei de soltar uma metáfora, pra variar. Adoro metáforas. Eu tava mesmo falando sobre isso ontem. Metáforas explicam muito bem, mas fica meio ridículo usá-las o tempo inteiro. É preciso se controlar, se você for como eu. Até porque, se a gente fica mandando metáforas sempre, elas tendem a ficar mais complexas, e chega uma hora que ninguém mais entende o que queremos dizer.
* Fechei o semestre com notas relativamente boas. E, pela primeira vez na minha vida, me sinto digna dessas notas, porque eu não me encostei no grupo em absolutamente nenhuma vez; muito pelo contrário, carreguei gente nas costas em certas ocasiões. Estudei, li tudo o que eu tinha que ler e procurei participar da forma que eu podia em debates e atividades coletivas. Sei lá, nunca fui uma boa aluna, mas tentei ser desta vez. Não desisti no meio do semestre. Tomara que eu continue assim.
* Tá, fora isso, essa metade do ano não foi tão boa. Problemas sentimentais que só se resolveram há pouco, e olhe lá, e sobrevivência à base de mesada. É extremamente estranho voltar a receber mesada quando já se havia conquistado um salário (ou bolsa-auxílio, sei lá, essas frescuras de estágio). Para mim, é o equivalente a afirmar que se vai sair de casa, dar adeus a todo mundo e depois ter que voltar com o rabo entre as pernas. Mesmo sem a cobrança dos meus pais para que eu trabalhe, me senti um tanto infantil por não estar mais trabalhando. Mas tudo vai mudar, tudo vai mudar: o segundo semestre promete.
* Across the Universe é um filme que, deixando de lado o fato de ser bom, fixa para sempre as músicas dos Beatles na nossa mente. Tá, não para sempre, mas, pelo menos durante uma semana, Strawberry Fields Forever e Hey Jude ecoarão enquanto você toma banho, lava a louça e espera o ônibus. Por isso, cuidado: pense bem antes de assistir a esse belo musical.
* Daqui a pouco mais de uma semana, rumarei a Buenos Aires. Estou morrendo de saudade de viajar, e já montei o meu roteiro básico. É a parte boa de não estar trabalhando e nem comprometida com qualquer coisa. Sinto-me livre, ou quase isso, e, mesmo não sabendo se tal liberdade me agrada ou não, em uma viagem ela é bem legal.
* Já estou entediada por estar de férias. Eu deveria ter feito o curso superintensivo de francês. Só que eu teria que faltar aula por causa da viagem, então não aproveitaria tanto quanto dá. Eu e essa mania de querer aproveitar tudo o que dá em todas as coisas. Acabo por deixar de fazer as coisas e não aproveitando nada.

Rabiscado por Isabella | 4:36 PM |

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Comentários:
26.6.08

- Não era liberdade o que você tanto queria?
- Não sei...

Rabiscado por Isabella | 3:42 AM |

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